sábado, 2 de julho de 2011

" Por uma vida melhor " - O Livro !

    Se eu digo que é O Livro, imagina-se um livro distinto, especial, aquele livro !  A presença do artigo definido "O", precedendo e especificando o substantivo "Livro", provoca um efeito de sentido semântico capaz de individualizar esse livro e até de levantar uma curiosidade a seu respeito.
    De fato, o livro ao qual me refiro tem merecido destaque na mídia e provocado opiniões variadas em meio aos profissionais da Linguística. Porém, seu "sucesso repentino" é contrário ao que tem produzido na prática: adotado nas aulas de português do ensino público fundamental, o livro "Por uma vida melhor" pretende doutrinar os alunos sob a tese polêmica de que não existe certo ou errado no uso da nossa língua! 
   Uma das autoras da obra, Heloísa Ramos, diz: "Você pode estar perguntando: "Mas eu posso falar os livro?". Claro que pode." E ela ainda completa: "Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico."
  Para a procuradora da República Janice Ascari, está-se diante de "um crime contra nossos jovens... um desserviço à educação já deficientíssima no país". 
   E a polêmica vai longe... O MEC (Ministério da Educação), que aprovou e pagou pelo livro, decidiu não retirá-lo das escolas. A ideologia em cima da qual justifica sua decisão é a de que a língua culta é um poder das elites.
 "A ideia de que a língua culta é um instrumento de dominação da elite é um absurdo que não se vê em nenhuma outra nação desenvolvida", afirma categórico o linguista Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras e autor de dezenas de livros, referências da nossa norma culta.
   As discussões continuam... Em três edições consecutivas, a Revista Veja publicou várias reportagens acerca do já famoso livro. Lya Luft, renomada escritora e colaboradora da Revista, em sua coluna de 25 de maio, faz o seu desabafo: "Imagino que, dando-se conta do havido, as autoridades tomem as providências urgentes que saltam aos olhos de qualquer pessoa minimamente racional e nos livrem de mais esse pesadelo para quem ainda acredita um pouco em educação."
   Enquanto isso, nas salas de aula precárias das nossas escolas públicas, lotadas de crianças carentes de tudo, professoras e professores, não menos carentes, sabem que O tal Livro não é o instrumento didático mais adequado - soa mal aos ouvidos mais treinados - mas ensinam: "Nós pega o livro."...E esperam, todos os dias, "por uma vida melhor" !

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