quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Feriados chegando...Quem sabe fazer uma viagem? A cronista Danuza Leão fala sobre os prazeres de passear pelo mundo.

Boa viagem, por Danuza Leão
Uma viagem é a melhor coisa do mundo; e decidir para onde se vai é quase tão bom quanto viajar. Já passou o tempo em que se ia a vários lugares, pois os aeroportos - e não só os daqui - andam tão cheios, tão sem glamour, que duas cidades está mais do que bom. Leve pouquíssima coisa. Um jeans no corpo, uma calça preta na mala, três blusas, um blazer e só - ou você acha que não vai comprar nada? E não se desespere quando, no aeroporto, ao passar pela polícia, jogarem fora a sua tesourinha e o seu xampu; sofrer por uma tesourinha, nem pensar. Dê uma volta no free shop, compre uns chocolates suíços e um potinho de caviar de 50 gramas para comer no avião e se sentir a mulher mais feliz do mundo. E não se preocupe: seus filhos vão ficar ótimos, pai é pra isso, é hora de só pensar em você. Durante o vôo, aproveite para passar a limpo seu caderninho de telefones e anotar na agenda aquelas coisas importantíssimas que você não pode deixar de fazer (ou comprar) na viagem. Quando tiver terminado seu dever de casa, tome um bom comprimido para só acordar quando estiver descendo em Paris; porque é claro que é para lá que você está indo - ou não?


Largue suas malas no quarto do hotel, sem nem abrir, retoque a maquiagem e vá correndo para a rua fazer o reconhecimento do quartier. Não seja ansiosa, não compre nada nesse dia. É hora de ver as vitrines, os preços e, na manhã seguinte, vai estar tudo lá, esperando você. Sente-se num café e peça um copo de champanhe; um copo, não uma taça, como falam por aqui, e vou explicar por quê. A taça tinha uma haste longa e o lugar onde ficava a bebida tinha a boca larga. Elas ainda existem em certas cristaleiras, heranças de nossas avós, mas foram trocadas pelas flûtes, aqueles copos longos e fininhos, para que o champanhe conserve sua temperatura. Mas ninguém vai pedir num café de Paris uma flûte de champanhe, até porque eles não têm. Então, pede-se um copo - e para o vinho também. Custa pouco mais do que uma água mineral. No segundo copo, o mundo já estará em harmonia total, e você só olhando ele passar, feliz, esquecida de qualquer problema. Preste atenção nas mulheres, como elas se vestem, como se penteiam, e nos homens, pois, mesmo não sendo todos lindos, têm um charme, uma elegância, que ai, meu Deus... Depois de ter curtido bem a sua tarde, pense em onde vai jantar. São muitas as opções, e todos os restaurantes têm o menu com os preços afixado do lado de fora. Assim, você pode escolher qual deles tem o prato de que mais gosta. Conselho: nunca entre num restaurante vazio. Se estão vazios, é porque não são bons.
Durante toda a viagem, elimine dos seus pensamentos a palavra dieta. Coma a entrada, o prato principal e a sobremesa - por que não? -, tome seu vinho e, quando chegar de volta ao hotel, vai estar morta de cansaço e um pouquinho tonta, o que é ótimo.
Na hora do quesito compras, você vai sofrer, querendo levar tudo, porque mulher é assim, e não vamos mudar nunca. Para isso existem os cartões de crédito, às vezes até um marido.
O tempo vai passar rápido, mais do que se gostaria, e uma hora você vai ter que voltar à realidade, mas não fique triste. Tenha a certeza inabalável de que vai voltar, de que a próxima viagem vai ser ainda melhor do que a primeira e, quem sabe, mais cedo do que você pensa.
E um detalhe importante: viajar com uma amiga é bom, mas viajar sozinha é melhor ainda. Não ter que esperar que ela decida se compra uma bota ou uma sandália rasteira e, sobretudo, não ter que negociar que museu vão ver ou onde vão almoçar ou jantar é a melhor coisa do mundo. Vá sozinha, sem medo algum. Afinal, existe melhor companhia do que a sua?
Danuza Leão é cronista, autora de vários livros, entre os quais Na Sala com Danuza 2 (ARX) e Quase Tudo (Cia. das Letras)








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