quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"Dicas - começando a Lista!"


Vou começar a postar hoje uma série de “dicas” a respeito de ortografia, significação de palavras, acentuação, concordância, etc. São várias as situações que trazem dúvidas, no dia-a-dia, principalmente para as pessoas que se propõem a escrever. Mas, alguns erros acabam acontecendo com maior freqüência, ocorrendo até mesmo ao falar - esses merecem atenção redobrada! Vamos, então, listando os mais comuns, de forma aleatória,`a medida que forem sendo “lembrados”, ok? E que a nossa lista se torne um roteiro de "como fugir dos temidos erros portuguesísticos"! Ah, aceito contribuições.

ü  Comprei "ele" para você.

o   Eu, tu, ele, nós, vós e eles são pronomes pessoais retos, só podendo exercer a função de sujeito; não podem ser objeto direto.
o   Assim: Comprei-o para você.
o   Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

ü  Nunca "lhe" vi.
o   Lhe é pronome pessoal oblíquo átono e substitui a ele, a eles, a você e a vocês, por isso não pode ser usado com objeto direto.
o   O certo é:  Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

ü  Soube que os homens "feriram-se".
o   O “que” sempre atrai o pronome – caso obrigatório de próclise: Soube que os  
homens se feriram. / A festa que se realizou ontem...
 O mesmo ocorre com as palavras negativas, as conjunções subordinativas, os advérbios e outras palavras atrativas: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

ü  Não sabiam "aonde" ele estava.
o   O certo: Não sabiam onde ele estava.
o   Aonde se usa com verbos de movimento, apenas:
o   Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
ü  A tese "onde" ele defende essa ideia...
o   Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam.
o   Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...

ü  As pessoas "esperavam-o".
Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

ü  Vocês "fariam-lhe" um favor.
o   Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito ou particípio.
o   Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe- iam) um favor. / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá- se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo- me formado (e nunca tendo "formado-me").

ü  Andou por "todo" país.
o   Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida.
o   Sem “o”, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

ü  "Todos" amigos o elogiavam.
o   No plural, todos exige “os”: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

ü  A moça "que ele gosta".
o   Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta.
o   Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.


OBS: Peço desculpas, mas o Blogger hoje não aceitou nenhum tipo de configuração! Espero que dê pra entender... Abraços, Cláudia.

domingo, 14 de agosto de 2011

"A TODOS OS PAIS - MINHA HOMENAGEM E O DESEJO DE UM "DIA DOS PAIS ILUMINADO!"

À luz da oração que o Pai nos ensinou,  fiz a minha oração, rogando a Deus que abençoe TODOS OS PAIS DO MUNDO, principalmente os que mais precisam hoje da sua presença santa. E que o SENHOR os cubra de bênçãos não só nesse "DIA DOS PAIS", mas em todos os dias de suas vidas! A meu pai, em especial, meu amor incondicional: PAI, EU TE AMO!!!

*Aos pais que já não se encontram entre nós, que vivam a plenitude do amor infinito de Deus, na paz celestial, e continuem olhando pelos seus filhos e filhas muito amado(a)(s).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

" Raquel: Uma Professora muito maluquinha!"


  “Uma professora muito maluquinha”
O famoso livro de Ziraldo mostra todo o valor de uma professora na árdua tarefa de ensinar seus alunos a pensar por eles mesmos. São os próprios alunos que contam a história da professora criativa e cativante, apaixonada por seu trabalho, que conquista todos “com seu jeito maluquinho de ser”. Diferente das professoras tradicionais, seus ensinamentos são passados de maneira interativa e alegre e seu objetivo é normalmente atingido, sendo seus alunos a prova viva disso. É um livro que mostra o que infelizmente nem todos valorizam: a importância do papel da professora e como ela influencia a vida de seus alunos pelo resto de suas vidas...

   Partindo da criação do Ziraldo, quero falar hoje, em especial, de uma professora com um perfil muito próximo da sua “professora maluquinha”: Raquel Tanus Cesario,  professora de Português do Meritus, que completa seus 30 anos de graça e muita luz!
Dela posso falar "de carteirinha", pois tenho o prazer imenso de ser sua aluna, "extensivamente".  Peço licença à Raquel para usar aqui o adjetivo “maluquinha”, esclarecendo que o faço no sentido “gostoso e lúdico” do significado da palavra, trazendo aqui neste caso o valor positivo de tal adjetivo – certinho, florzinha?

Para traçar o seu perfil, poderia até ter buscado referência em outras “professoras”- da estirpe das da Academia de Letras, por exemplo. Mas não combina, não adianta! A Raquel é jovem, "frenética", no bom sentido; seu jeito de ser não condiz com o daquelas que se vestem "de maneira engessada", muito menos usa a norma culta "blindada" ao falar, apesar de dominar até notas de rodapés das melhores gramáticas. Além do mais, o valor de uma pessoa, não se mede por títulos, medalhas, ou troféus. Ao meu ver, as atitudes, o poder de convencimento, o envolvimento, a disponibilidade, a capacidade de se doar, a dedicação, isso tudo é que faz a diferença. E esse é o “modo Raquel de ser”! Com ela, impossível não aprender.  Senão o conteúdo inteiro, frases inesquecíveis do tipo: “a repetição leva à perfeição” ou " para aprender, tem que fazer" - essas ficarão para sempre!

  O que dizer de uma professora que considera dar aulas de Português como “fazer mágicas”, que trata seus alunos por “príncipes e princesas” e que faz do tablado da sal de aula um “verdadeiro palco”? “Uma artista”? Com toda certeza: uma artista das Letras! E letras, quando se somam, tornam-se palavras, frases, orações, versos, poesias, contos, prosa e muita história.

História é o que não falta nas aulas da Raquel! Ela mesma se auto-intitula “hiperativa” e diz coisas que não dá pra gente não dizer: “é maluquinha!”. Só existem duas coisas que diminuem um pouco sua alta-rotação: o ar condicionado desligado ou lembrar que está com fome... aí para tudo!!! “Mocinhos, tá quente demais isso aqui, num tá não?”. “Fico até sem ar, vocês perceberam?” E completa: “Tô lerda, né benzinho? É que comi 04 pedaços de frango no almoço hoje.” Ou então: “Nó florzinha, tô com uma fome, tô até mole!”... Mas tudo se resolve quando o moço liga o ar bem gelado e “qualquer florzinha” oferece a ela um chocolate: o sorriso é igualzinho ao de uma criança que ganha um pirulito e a satisfação ídem. Prontinho! Aí acelera a Raquel de novo: emenda uma oração na outra, engole letras, dispara a fazer setinhas entre sujeito e predicado e pergunta: “Tô correndo, gente?” E a turma inteira diz: “táaaaa...” Ela dá uma viradinha: “Ah, era só pra ver se vocês estavam acordados!” E com o jeitinho que é só dela de resolver qualquer situação, enche o quadro de exercícios: “Para casa, viu mocinhos, e quem não fizer tudo direitinho vai perder ponto ... tem que trazer tudo lindo pra tia, senão vai ter dor de barriga, viu?”. E é assim que a gente aprende, e nem vê o tempo passar! Em sala de aula, mostra-se generosa e afetuosa para com a maioria dos alunos – é  que tem os que não se deixam aproximar de forma alguma, e esses ela respeita. Sempre tenta instigar um ou outro ao raciocínio, ou aponta, querendo saber se está todo mundo aprendendo mesmo: “Você aí, Flor de Liz, entendeu direitinho?” “E você, o de camisa vermelha, como é mesmo seu nome, benzinho? Tudo certinho? Então tá Príncipe demais!”
   Naquele espaço cênico ela faz de tudo: fica na ponta dos pés e faz verdadeiros movimentos de “bailarina” as pernas - parênteses: quando põe sapato alto, tanto faz que tira o salto, e depois se explica: “ah, entendi porque que eu tava estranha, florzinha; nossa, agora eu tô princesa, que alívio” - faz “malabarismos”, ficando de joelhos em cima da cadeira que ela põe bem no centro do palco; maneja o microfone e os pincéis numa desenvoltura de “equilibrista”... e às vezes solta um palavrão qualquer, mas diz que é “porque não tem mãe não.”
Raquel é leonina. Cabelos ao vento, prefere estar sem lenço e documento: vai se despindo de acessórios quando os coloca, até ficar bem à vontade; senso de humor daqueles! Sobram-lhe criatividade e teatralidade.

Com um sorriso franco e uma "aura iluminada", é bastante receptiva e comunicativa. Não esquece de falar que “R” é a letra mais bonita do alfabeto, todas as vezes que citar a letra “R”. Auto-estima bem trabalhada, tem pelo menos duas semanas que está nos avisando do seu aniversário: “vou fazer trinta, viu florzinha?” Ela é assim: possuidora de uma maravilhosa capacidade de apreciar a vida numa boa, rindo e brincando, ou cantando: "deixa a vida me levar"... Ao dar exemplos, sempre cita “as tiradas” da Heleninha, sua filhota, linda e levadinha, “só não sei a quem puxou”...

   Mas continuando, “agora conta uma coisinha aqui pra tia”... E faz que faz perguntas – uma atrás da outra - e responde todas as dúvidas também: "as damas primeiro" - "peraí, isso você vai esperar que daqui um cadiquinho   eu explico melhor, viu Flor de Magnólia?" 
Não tente sair da aula despercebidamente, ou chegar depois que a aula começou - ela não vai deixar passar “de liso”: “ Uai florzinha, onde você vai?” “Nossa, chegando agora, onde você tava benzinho?” Coisa mais difícil é vê-la nervosa ou perdendo a paciência. A sua autoconfiança lhe possibilita uma harmonia de atitudes do começo ao fim da aula - imprevistos à parte. Mas de uma coisa pode-se ter a certeza, a “mulher leoa” é autêntica e marca presença: o que se vê é o que se leva! A Raquel não é diferente! Português pra mim é coisa muito séria, e depois que conheci a Raquel, Português também começa com a letra “R”!

Parabéns Raquel!!!

Com muito carinho, da aluna
Cláudia Fagundes.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Bloguesa em dia com os concurseiros: "Passou no concurso, tem que ser nomeado!"

Governo tem de nomear aprovado em concurso público
Boa-fé da administração pública exige respeito às regras, afirma Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje que a administração pública tem a obrigação de nomear os aprovados dentro no número de vagas oferecidas no edital do concurso público. A decisão ocorreu por unanimidade dos votos. Apenas em situações excepcionais, imprevisíveis e comprovadas a nomeação poderá não ocorrer. 
Os ministros do STF tomaram a decisão ao julgar e rejeitar um recurso do Estado do Mato Grosso do Sul contra uma determinação judicial para que fosse nomeada uma candidata aprovada no concurso de agente auxiliar da perícia da Polícia Civil. O Supremo entendeu que se a administração pública lança um concurso para preencher um número determinado de vagas, os aprovados têm o direito de tomar posse. 
No recurso julgado pelos ministros do STF, o Estado de Mato Grosso do Sul alegava que não havia direito líquido e certo dos aprovados à nomeação. Segundo o Estado, a Constituição estabelece a autonomia da administração pública, dando-lhe o poder de avaliar a real necessidade de nomeação dos candidatos aprovados no concurso.
Boa-fé da administração
O relator, ministro Gilmar Mendes, considerou que a administração pública está vinculada ao número de vagas previstas no edital. “Entendo que o dever de boa-fé da administração pública exige o respeito incondicional às regras do edital, inclusive quanto à previsão das vagas no concurso público”, disse o ministro, ao ressaltar que tal fato decorre do “necessário e incondicional respeito à segurança jurídica”. O STF, conforme o relator, tem afirmado em vários casos que o tema da segurança jurídica é “pedra angular do Estado de Direito, sob a forma da proteção à confiança”.
O ministro relator afirmou que quando a administração torna público um edital de concurso convocando todos os cidadãos a participarem da seleção para o preenchimento de determinadas vagas no serviço público, “ela, impreterivelmente, gera uma expectativa quanto ao seu comportamento segundo as regras previstas nesse edital”. “Aqueles cidadãos que decidem se inscrever e participar do certame público depositam sua confiança no Estado-administrador, que deve atuar de forma responsável quanto às normas do edital e observar o princípio da segurança jurídica como guia de comportamento”, avaliou.
Dessa forma, segundo Mendes, o comportamento da administração no decorrer do concurso público deve ser pautar pela boa-fé, “tanto no sentido objetivo quanto no aspecto subjetivo de respeito à confiança nela depositada por todos os cidadãos”.
Direitos e deveres
De acordo com relator, a administração poderá escolher, dentro do prazo de validade do concurso, o momento no qual se realizará a nomeação, mas não poderá dispor sobre a própria nomeação, “a qual, de acordo com o edital, passa a constituir um direito do concursando aprovado e, dessa forma, um dever imposto ao poder público”.
Ministros
Segundo o ministro Celso de Mello, o julgamento “é a expressão deste itinerário jurisprudencial, que reforça, densifica e confere relevo necessário ao postulado constitucional do concurso público”. Por sua vez, a ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha afirmou não acreditar “numa democracia que não viva do princípio da confiança do cidadão na administração”.
Para o Marco Aurélio, “o Estado não pode brincar com cidadão. O concurso público não é o responsável pelas mazelas do Brasil, ao contrário, busca-se com o concurso público a lisura, o afastamento do apadrinhamento, do benefício, considerado o engajamento deste ou daquele cidadão e o enfoque igualitário, dando-se as mesmas condições àqueles que se disponham a disputar um cargo”. “Feito o concurso, a administração pública não pode cruzar os braços e tripudiar o cidadão”, completou.
iG São Paulo | 10/08/2011 20:49

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

" Elogio à Preguiça."


“ Perder o tempo mecânico que escraviza a vida é fundamental para a criação. Nunca se trabalhou tanto quanto hoje e jamais se pensou tão pouco sobre o sentido da imensa dedicação ao trabalho”...
 “ Que belo livro escreveríamos ao contar a vida e as aventuras de uma palavra”.
É isto que pensadores do Brasil e do exterior pretendem: narrar as aventuras da palavra PREGUIÇA ao longo de 80 conferências em 04 estados, passando pela Casa Fiat de Cultura , em BH, a partir do dia 16 próximo.

Por que a preguiça?
A pergunta é na exata proporção da importância de uma atividade esquecida, pois classificada, irrefletidamente, como inatividade. Na exata proporção em que se aceita a preguiça, tão prontamente  indexada entre os pecados capitais (o termo, aqui, em ambos os seus sentidos), ao mesmo tempo em que se marginaliza toda uma linhagem reflexiva que quis dar ao tempo outro sentido (pois, enfim, é disso que se trata) – “tempo” avesso a sentidos, em que o pensamento assume novo tom: o sem finalidades, e, não por isso, menos criador; não, pelo menos, segundo Tales, Sêneca, Platão, Aristóteles, Montaigne, Jean-Jacques Rousseau, Charles Baudelaire, Paul Lafargue, Walter Benjamin, Bertrand Russel, Michel Foucault, T. S. Eliot, Mário Quintana e tantos outros.
Mas, afinal, o que é ser preguiçoso?
O preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso: ele se deixa levar por devaneios. Por outro lado, sabemos que “para o preguiçoso é preciso ser distraído para viver” e assim são por vezes inspirados a ponto de construírem exímias obras de arte, romances, pinturas, reflexões filosóficas.
 “São os ociosos que mudam o mundo porque os outros não têm tempo algum”. A célebre frase de Albert Camus, escritor e filósofo, dá conta da subversão implícita ao tema – o ócio é produtivo, pois que os que nele vivem são capazes de mudar o mundo! Vem da sua análise uma forma espirituosa de suscitar perguntas: “O que se deve fazer?” Ou: “O que estamos fazendo de nossas vidas; de nossas vidas em sociedade?” Ou ainda: “Deve-se fazer sem pensar o que se faz?”.
Tais inflexões permearão todas as conferências integradas ao Evento, intitulado “Elogio à Preguiça”. Michel de Montaigne, num de seus mais belos livros: Os Ensaios, diz que “(...) a coisa mais importante do mundo é saber pertencer-nos”...
Façamos isso numa preguiça gostosa e produtiva. E defendendo sempre o que acredito sobre a leitura: brindemos à preguiça boa, de preferência com um belo exemplar de uma "deliciosa" leitura!

Por Cláudia Fagundes.
Fontes: Jornal Estado de Minas – 06/08/2011
            Blogspot: elogioapreguiça.com.br

sábado, 6 de agosto de 2011

A história de um substantivo masculino e um artigo feminino!

É fantástico constatar como o português, para quem gosta de escrever, pode produzir histórias únicas. Encontrei um pequeno texto, num caderno antigo da minha época de Colégio Pitágoras, e resolvi transformá-lo... O resultado é o que vou compartilhar com vocês agora: quase um capítulo de uma "novela linguística" que surgiu quando dei asas a minha imaginação...

"Era a segunda vez que o tal substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com uma flexão plural e com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas acompanhada de um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona até; ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação do destino: "os dois sozinhos, num lugar sem que ninguém visse e ouvisse nada"... Sem perder essa segunda oportunidade, começou ele a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu esse pequeno colóquio.
De repente, o elevador para. Só os dois lá dentro: "ótimo, pensou o substantivo mais uma vez, outro bom motivo para provocar algumas conotações". Estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a se movimentar. Só que em vez de descer, subiu e parou justamente no andar do substantivo. Ele usou de todo o seu predicado verbal e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam-se uma análise sintática para ele e uma dose de morfologia com gelo para ela. Ficaram conversando, encostados em vírgulas e vocativos, quando ele começou outra vez a se insinuar... Ela foi se permitindo e ele usando do seu adjunto adnominal, rapidamente chegaram a um imperativo! Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar mais e mais; ela tremendo de vocabulário !?, e ele sentindo seu ditongo crescente - se abraçaram, numa pontuação tão maiúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa coesão perfeita, quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo, sugerindo a ela uma ou outra interpretação, sempre soletrada entre aspas. É claro que ela se deixou levar por essas palavras destacadas, pois que já estava totalmente oxítona às vontades dele. Acabaram cedendo ao comum de dois gêneros... Não se sabia quem era voz passiva e quem era voz ativa... Entre beijos, carícias, parônimos e pronomes, ele se debruçando num gerúndio insistente: ficaram algum tempo sem perder o tempo verbal!
Estavam nas posições de primeira e segunda pessoas do singular, ela , agora, um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo a ênfase do seu travessão contra aquele hífen ainda singular. Neste exato momento, a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha acompanhado tudo - usou de todos os recursos morfológicos, sintáticos e semânticos - entrou esbravejando adjetivos aos dois, que se perderam gramaticalmente em meio a tantas interjeições.  Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar retirou seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam e viram que isso era melhor do que uma dissertação-expositiva por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu principal! Que locução verbal, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela significação enorme, com direito a todos os complementos. E a colocação pronominal estava proposta: comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, só caberia uma mesóclise-a-trois. O substantivo vendo que poderia ser substituido ou se transformar num pronome indefinido depois dessa catáfora, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar e seu principal, desfez a locução, jogou-os pela janela e voltou ao seu predicado inicial. Quis ser eternamente fiel à língua portuguesa: convidou, então, o artigo feminino para formar uma locução adjetiva ao seu lado, coroando-a com uma crase de fazer inveja à mais bela princesa ."

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Algumas confusões no uso do Português...

Olá pessoal!!! Tenho percebido em e-mails que recebo, em blogs que visito e em textos de todos os tipos, na internet principalmente, que o uso do Português não é fácil mesmo. Às vezes, alguns termos ou palavras apresentam grafia que  é confundida por grande parte das pessoas. Hoje vou citar alguns exemplos e tentar elucidar ou tornar mais fácil a compreensão da aplicação dos mesmos.

1 - A / Há
Emprega-se  com referência a tempo passado, equivalendo a "faz";  e a na indicação de tempo futuro, da seguinte forma:
Ex.: dias li um excelente livro de Fernando Sabino.//  Daqui a pouco você poderá ler o material, lá no Meritus.
2 - A fim de / afim
A fim de é uma locução prepositiva, que indica finalidade; afim é adjetivo e significa "semelhante":
Ex.: Marquei a reunião a fim de esclarecer os fatos ocorridos.// Os fatos ocorridos foram motivados  por  assuntos afins.
3 - A meu ver
Não se emprega "ao meu ver" e sim a meu ver"; não existe o artigo o nessa locução:
Ex.: A meu ver, a Raquel é uma das professoras mais completas do Meritus.
4 - A par / ao par
Usa-se a par com o sentido de "bem informado"; e ao par significando equivalência cambial:
Ex.: Fiquei a par da polêmica sobre o livro “Por uma vida melhor” após ler este post no Bloguesa.
Ex.: O dólar e o ouro estão ao par, mas os blogueiros preferem saber do valor do primeiro.

5 - À toa / à-toa
À toa é uma locução adverbial de modo, com o sentido de "sem razão", "inutilmente".  À-toa é um adjetivo e significa "inútil", "desprezível".
Ex.: Estava à toa, quando recebeu um telefonema da escola do seu filho. 
Ex.: Não costumo ver discussão à-toa naquele programa de entrevistas da Globo News.
6 - Acerca de / há cerca de 
Acerca de é uma locução prepositiva e corresponde a "a respeito de"; há cerca de é uma expressão que equivale a: "há aproximadamente"
Ex.: O rapaz falou-me acerca de mulheres daquela cidade do interior. 
Ex.: Há cerca de dois anos me mudei daquela cidade.
7 - Ao invés de / em vez de 
Ao invés de corresponde a "ao contrário de”; em vez de significa "no lugar de":
Ex.: Ao invés de navegar sem rumo, tome uma decisão.// Em vez de lamuriar, leia.
8 - Ao telefone 
Não se diz estar "no telefone", pois não tem jeito: dentro do telefone??? Usa-se ao telefone.
Ex.: Esteve ao telefone durante horas aproveitando os créditos da sua operadora.
9 - Aonde / onde 
Usa-se aonde com os verbos que dão ideia de movimento; equivale a "para onde". Com os verbos que não expressam a ideia de movimento, usa-se onde:
Ex.: Aonde ela foi num domingo tão lindo como este? Onde a mãe mora?
10 - Baixaram os preços / abaixaram os preços 
Emprega-se baixaram os preços quando não há objeto direto; os preços funcionam como sujeito (os preços baixaram). Se for empregado com objeto direto, usa-se abaixaram:
Ex.: Baixaram os preços nos supermercados.  
                           
sujeito 
Ex.: Os feirantes abaixaram os preços das verduras. 
            sujeito                                  
objeto direto
Por hoje é isso! Aceito contribuições para enriquecermos nossa lista, ok?
Até a próxima!!!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A gosto de DEUS!

Agosto

São doze meses para contarmos a historia de um ano. Porém, há um deles que é comprovadamente o mais “mal-falado”; mês que o mundo todo muito teme e que tem fama de ser “azarado” – o mês de agosto.
Os romanos deram ao oitavo mês do ano o nome de agosto, numa homenagem ao Imperador Augusto, quando estavam acontecendo os mais importantes fatos de sua vida, destacando-se, dentre os principais, a conquista do Egito e sua elevação à dignidade de cônsul.
Por que, como e quando agosto começou a ser um mês azarento é que ninguém sabe explicar.
Sabemos que os romanos não gostavam do mês de agosto. Acreditavam na existência de um dragão enorme, horrível, que cuspindo fogo pelas narinas, passeava no céu durante todo o mês de agosto. Este dragão, na verdade, era a constelação de Leão que passava nos céus do hemisfério norte, por isso os nascidos em agosto serem regidos pelo signo de Leão.
As mulheres portuguesas não casavam nunca no mês de agosto, época em que os navios das expedições zarpavam à procura de novas terras. Casar em agosto significava ficar só, sem lua-de-mel e, às vezes, até mesmo viúva. Os colonizadores portugueses trouxeram esta crença para o Brasil já transformada em ditado popular segundo o qual "casar em agosto traz desgosto”. Assim, se o casamento não for realizado em julho, por qualquer motivo, é bom deixar para casar em setembro. Na Argentina, não é aconselhável lavar a cabeça durante todo o mês de agosto. Quem lava a cabeça em agosto está chamando a morte...
As assombrações, as almas do outro mundo que entre gemidos e arrastar de correntes balançam as redes dos que dormem após um longo dia de trabalho, costumam aparecer, pedindo missa, querendo rezas, no mês de agosto, que é o mês do frio e da ventania – o barulho do vento seria o próprio som dos gemidos sofridos.
Verdade é que a crença popular de que agosto é o mês de desgosto não é somente um ditado popular que rima; é, também, uma superstição internacional, inclusive de grande aceitação entre nós, brasileiros.
E, embora muita gente diga não acreditar nos azares próprios do mês de agosto, assumidamente eu aconselho: não custa nada fazer como muitos que não casam em agosto, não se mudam em agosto, não viajam em agosto, não fazem negócios em agosto... Acreditando ou não, é preferível não brincar com o mágico, com as coisas do sobrenatural e deixar o agosto, a gosto de DEUS!

Um ótimo mês de Agosto para todos Vocês!!!